6 de janeiro – Dia de Reis

Por Danilo Vital

“Hoje é o dia de Santo Reis
Anda meio esquecido
Mas é o dia da festa de Santo Reis”

Os versos são de Tim Maia, na música A Festa do Santo Reis, incluída em seu segundo LP, Tim Maia (Volume 2), de 1971. A comemoração em referência tem origem no catolicismo português e chegou ao Brasil no século 18. Sua data não poderia ser mais controversa: 6 de janeiro, data que marca o fim das festividades natalinas em algumas religiões e na qual, em outras, é comemorado o Natal.

Há muitas teorias para calcular a data mais próxima do nascimento do menino Jesus – cálculos baseados em passagens bíblicas -, mas é praticamente consenso de que o 25 de dezembro não é verdadeiro dia em que o Salvador chegou à Terra. Ele teria sido implementado já no Século 4 depois de Cristo pelos romanos, que tentavam cristianizar as comemorações pagãs pelo Solstício do Inverno, quando deuses do Sol eram muito cultuados pela população.

Religiões ortodoxas comemoram o Natal em datas próximas – 6 e 7 de janeiro -, que são tomadas também como o dia da Epifania do Senhor, quando o menino Jesus se revelou aos Reis Magos e deles recebeu ouro, mira e incenso. Para a Igreja Católica Apostólica Romana, essa é a data oficial do dia dos Reis. Pela lógica, é quando a troca de presentes faria mais sentido. Doze dias depois do ápice do consumismo mundial, que é amplificado por tradições que nada dizem respeito à religião,  algumas partes do Brasil fazem festa.

Como o país sempre teve fortíssima influência católica, o Dia de Reis acabou incluído como uma das tradições. Nesta data, em 1502, uma expedição comandada pelo português Gonçalo Coelho encontrou uma Baía no Rio de Janeiro que seria batizada de Angra dos Reis. No mesmo dia, mas em 1598, por ordem da Corte Portuguesa, foi iniciada a construção de uma estrutura militar em Natal, no Rio Grande do Norte, que acabou chamada de Forte dos Reis Magos.

No princípio, o forte nada mais era do que uma paliçada postada na praia sob o comando do Capitão-Mor da Capitania de Pernambuco, Manuel Mascarenhas Homem. Era a base da defesa contra uma possível incursão de corsários em terras brasileiras. A estrutura foi o marco inicial da capital do Rio Grande do Norte, fundada em 25 de dezembro de 1599. Por essa coincidência, não poderia deixar de se chamar Natal – seja pela tradição cristã ortodoxa ou romana.

Foi justamente no Forte dos Reis Magos que foi realizada a primeira Festa de Santos Reis, tradição cantada por Tim Maia em uma crítica ao esquecimento popular. Em Natal, ninguém mais se esquece disso, já que o dia festivo virou feriado municipal. Os Magos, que inicialmente presentearam Jesus e que, séculos depois, deram nome ao ponto zero de uma das mais bonitas cidades do Brasil, agora fazem o povo dançar e celebrar pelas ruas da capital potiguar.

Janeiro de 1999 – O volante Vampeta é capa da G Magazine

Vampeta foi capa da edição de janeiro da G Magazine

Por Danilo Vital

Os primeiros dias de 1999 começaram marcados por uma grande polêmica: pela primeira vez no Brasil, um jogador de futebol posava nu para uma revista masculina. O sempre polêmico Vampeta, então atleta do Corinthians, mostrou tudo que podia nas páginas da G Magazine por um altíssimo cachê. Não que alguma vez em sua carreira o atleta tenha escondido algo – pelo contrário, o ex-volante sempre deixava tudo à mostra.

Vampeta não tinha papas na língua. Falava o que pensava e, assim, atingiu um nível de polêmica difícil de ser superado. Sempre que aparecia próximo às câmeras, o público esperava alguma declaração forte por parte do atleta. Se a postura era alimentada por um desejo de aparecer e se manter em evidência, ou por explosões de autenticidade, só podemos imaginar.

Volante de boa marcação e passe de bola apurado, era considerado um ‘carregador de piano’ no meio-campo, mas longe de ser um craque. Pelas entrevistas e atitudes, apareceu muito mais do que com a bola nos pés. Não foi o único jogador de futebol a se mostrar em revistas masculinas (ainda em 1999, o também corintiano Dinei foi capa da G Magazine. Outro famoso a posar foi o atacante Túlio Maravilha). Mas é claro que ele tinha que ser o primeiro.

O Polêmico Vampeta

“É a mistura de Vampiro com Capeta” – explicando a origem de seu apelido – seu nome verdadeiro é Marcos André Batista dos Santos

“O Flamengo finge que me paga e eu finjo que jogo” – Em 2001, ao falar sobre a situação do clube que defendia

“Costumo ir bem nas finais, principalmente contra os bambis” – Em 2002, dando apelido ao São Paulo, arquirrival corintiano e até hoje ironizado sobre o suposto símbolo da homossexualidade.

“Estava mamado, pô. É claro que eu só podia estar bêbado” – Ao explicar por que desceu a rampa do Palácio do Planalto dando cambalhotas após ser recepcionado pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, na volta da conquista da Copa do Mundo de 2002

“Tinha tomado uns (suco em pó) Tang” – Ao comentar o mesmo caso

“Conquistei dois brasileiros seguidos. Isso foi muito mais difícil do que o Mundial” – Já aposentado, em 2010, ao comentar o título da Fifa conquistado com o Corinthians dez anos antes

4 de janeiro – Dia do Hemofílico

Henfil

Por Danilo Vital

Hemofilia é uma doença hereditária que diminui a atividade dos fatores de coagulação sanguínea, impedindo a pessoa acometida, portanto, de controlar sangramentos. Não há cura para esta mazela, embora existam tratamentos para tentar suavizar seus efeitos. O Dia Internacional da Hemofilia é 17 de abril, data do nascimento de Frank Schnabel, fundador da Federação Mundial de Hemofilia. No Brasil, é celebrado em 4 de janeiro, data em que o cartunista, jornalista e escritor Henfil faleceu, em 1988.

Henrique de Souza Filho atuou na televisão, cinema e teatro, mas teve trabalho de maior repercussão como cartunista. Mostrou seus traços em importantes revistas brasileiras como Realidade e O Cruzeiro, além do Jornal do Brasil e n’O Pasquim. Neste último, fez ferrenhas críticas à ditadura brasileira, especialmente após o lançamento do Ato Institucional n° 5, de 1968, que restringiu as liberdades individuais e fez crescer a opressão.

Por anos Henfil sofreu a ausência de um de seus irmãos, o também hemofílico Hérbert José de Souza, o Betinho, sociólogo e líder da Juventude Universitária Católica que desde o Golpe de Estado de 1964 tinha as atividades monitoradas pelos órgãos de segurança. Através de suas tiras, criticou o regime que afastou um querido ente da família – teve de se exilar fora do país. A dor vivida por Henfil foi retratada por Aldir Blanc e João Bosco na música “O Bêbado e o Equilibrista”, sucesso na voz de Elis Regina.

“Meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete”

Betinho, irmão do Henfil

Betinho fugiu para o Uruguai assim que o Golpe de 1964 se deu e voltou ao país para viver na clandestinidade. Em 1971, com o aumento da repressão, foi viver no Chile, onde assessorou o então presidente Salvador Allende por dois anos, até que, em 1973, Augusto Pinochet assumiu o poder dando início à ditadura no país. O irmão de Henfil estava no México quando ouviu a música pela primeira vez, por telefone. Ao enviar a fita por correio, o cartunista escreveu: “Mano velho, prepara-se. Agora nós temos um hino, e quem tem um hino faz uma revolução!”.

Quando Betinho voltou ao Brasil, em 1979, a voz de Elis Regina já havia emocionado a todos e incitado a luta pela anistia. Ele desembarcou em Congonhas enquanto cerca de 200 pessoas cantavam  “O Bêbado e o Equilibrista” a plenos pulmões. O encontro dos irmãos finalmente aconteceu, unindo duas pessoas de grande relevância na oposição aos “Anos de Chumbo” com um dos clássicos que registrou a dor de um país comandado com mão de ferro pelos militares.

A canção o”O Bêbado e o Equilibrista” ficou marcada na história, assim como o legado dos irmãos hemofílicos. Ambos, no entanto, tiveram o mesmo destino: faleceram em complicações decorrentes da AIDS, síndrome da imuno-deficiência adquirida durante transfusões de sangue que ambos recorrentemente tinham que fazer por conta da hemofilia. Henfil se foi em 1988, data marcada como Dia do Hemofílico pelo Ministério da Saúde. Betinho morreu em 1997.

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Henfil x Elis – Anos antes de Elis Regina soltar a voz defendendo a volta do exilado Betinho, Henfil criticou-a ferrenhamente através de uma de suas tiras, apesar de serem amigos. Em 1972, Elis cantou o Hino Nacional no show de abertura das Olimpíadas do Exército e foi retratada pelo cartunista como “Elis Regente” pelo personagem Cabôco Mamadô. Em um cemitério, ela comanda o coro dos mortos-vivos integrado por Roberto Carlos, Tarcício Meira e Glória Menezes, Pelé, Paulo Gracindo e Marília Pêra – personalidades sem aversão pelo regime ditatorial.

A cantora reclamou publicamente da intolerância de Henfil. Na tréplica, ele a caracterizou novamente em um cemitério, desta vez já enterrada pelo Cabôco. Ela reencarna como Maurice Chevalier, ator e cantor francês de grande sucesso no começo do século. Elis, então, pergunta em que ano está: em 1945, ano em que Chevalier fez show na Alemanha, convidado por Hitler.

1503 – Leonardo Da Vinci inicia a pintura do quadro La Gioconda

Por Danilo Vital

Pesquisas indicam que no início do ano de 1503, provavelmente logo nos primeiros dias, o genial Leonardo Da Vinci teria iniciado a pintura daquele que se tornaria um dos mais famosos quadros do mundo: La Gioconda. A Mona Lisa, com seu sorriso indecifrável, se tornou obsessão para muitos artistas e ganhou paródias no mundo todo. 508 anos depois de sua gênese, confira algumas versões do magnífico quadro que está exposto no Museu do Louvre, na França.

 

Versão do pintor e escultor colombiano Fernando Botero

Mona Lisa em geléia e pasta de amendoim, feita pelo artista plástico brasileiro Vik Muniz

Mona Lisa em pose polêmica, pelo polêmico artista britânico Banksy

Matt Groening, criador de Os Simpsons, também deixou sua versão da obra

Andy Warhol estabeleceu a Mona Lisa como ícone da cultura pop

O artista pop brasileiro Romero Britto transformou La Gioconda em um gato

2 de janeiro de 1971 – entra no ar o seriado Spectreman

Spectreman: herói ecologicamente correto no Japão

Por Danilo Vital

“Planeta: Terra. Cidade: Tóquio. Como em todas as metrópoles deste planeta, Tóquio se acha hoje em desvantagem em sua luta contra o maior inimigo do homem: a poluição. E apesar dos esforços das autoridades de todo o mundo, pode chegar um dia em que a terra, o ar e as águas venham a se tornar letais para toda e qualquer forma de vida. Quem poderá intervir? Spectreman!”

A mensagem de contornos premonitórios servia de abertura para o seriado Spectreman, que começou a ser exibido no Japão há exatos 41 anos. Nos anos 70 a exacerbada preocupação ambiental era apenas um bom pretexto para roteiro de seriado. Antes mesmo de o aquecimento global ser reconhecido, a série produzida pela P-Productions e exibida pela TV Fuji já abordava a questão. No Brasil, foi transmitida pela Record no final da década e pela TVS (antecessora do SBT) nos anos 80.

O enredo de Spectreman é um tanto quando complexo. O herói é um androide enviado à Terra para salvar a humanidade da destruição causada pela poluição e assume a forma humana de Kanji, um dos técnicos da Divisão de Pesquisa e Controle de Poluição. Foi construído pelos Dominantes, habitantes do Nebula 71, planeta que vaga livremente pelo espaço. Quando encontra monstros gigantescos, Kenji se transforma no enorme herói que fazia a alegria da criançada e acabou por revigorar o gênero no Japão, bastante marcado pela existência do Ultraman.

Os monstros enfrentados na verdade são obra de Gori, um simioide do planeta Épsilon, da constelação de Sagitário, que abriga uma sociedade de homens-macacos extremamente evoluídos. Gori é um dos mais inteligentes, mas acaba preso após tentar um golpe para comandar o restante da galáxia. Ele consegue fugir e, depois de vagar no espaço, vai para a Terra, onde encontra homens desperdiçando os recursos naturais. Resolve, então, conquistar o planeta.

A DC Comics também tem seu herói preocupado com a ecologia

Spectreman não foi o primeiro super-herói ecológico a ser criado – outros vieram antes e depois dele para reforçar a noção de que a questão deve ser tratada com atenção e com esforços. Já em 1965, por exemplo, surgiu o Homem-Animal pela DC Comics. Seus poderes consistiam em copiar as habilidades de qualquer animal que estivesse próximo, mas ele só ganhou importância e alcançou o sucesso nos anos 80, quando foi modernizado para abordar temas como extinção de animais e uso de cobaias.

Ainda mais relevante foi o Capitão Planeta, herói que aparecia quando quatro jovens defensores da natureza uniam seus anéis, simbolizando Terra, Fogo, Vento, Água e Coração. Ele combatia vilões que espalhavam poluição e destruição pelo mundo em favor de benefícios próprios, metáfora já mais aproximada à da situação atual do planeta.

Nos quadrinhos, desenhos e em filmes, super-heróis ecológicos já encantaram crianças, adolescentes e adultos. Falta alguém assumir esse papel na vida real, no entanto. Quem poderá intervir na matança desenfreada de animais, nas queimadas de florestas para serem transformadas em pasto ou plantações ou no crescente aquecimento global? Há 40 anos, Spectreman cumpria seu papel. Mas e agora? Quem poderá intervir?

O capitão planeta teria um brasileiro entre seus aliados

Um brasileiro na luta ecológica
Entre os jovens que uniam força para acionar o Capitão Planeta haveria um brasileiro. O que se sabe sobre Ma-Ti é que é sul-americano e faz parte da tribo dos caiapós, que habitam a amazônia brasileira. Teria sido incluído pelo fato de, nos anos 90, a preservação do “Pulmão do Planeta” estar em evidência. Ele tem o anel que representa o Coração.

1° de janeiro de 1946 – nasce Roberto Rivelino

Rivellino era palmeirense. Agora, é corintiano.

Por Danilo Vital

Futebol é paixão antes de qualquer coisa. Não importa as cores que sua família adore, se a identificação não vier e se o coração não bater mais forte, não há como evitar: surgem palmeirenses em famílias de corintianos, pai cruzeirense com filho atleticano, irmão gremista e irmã colorada. Esse ponto de decisão talvez tenha demorado a aparecer para Roberto Rivellino. Ele nasceu palmeirense, mas é corintiano. Não tem jeito. E olha que o “Reizinho do Parque”, transformado em majestade na época em que o Rei Pelé encantava o planeta, ainda guarda mágoas com o clube.

Rivellino foi escorraçado após a derrota na final do Campeonato Paulista de 1974, quando o Corinthians perdeu o título para o Palmeiras, mantendo a fila que já durava 30 anos. O amor pelo clube nasceu anos antes, quando foi contratado depois de se sentir desprestigiado durante período de testes no arquirrival alviverde. Não recebeu a atenção que considerou merecida pelo técnico Mário Travaglini e, quando chegou ao Parque São Jorge, se encontrou e se transformou.

“O fato de eu ter sido palmeirense não tinha nada ver. Quer dizer, nem o Palmeiras deveria me tratar diferente só por causa disso. Eles nem sabiam que eu era palmeirense na época. Mas, quando cheguei ao Corinthians, a história foi outra. Eu me senti em casa”, contou em entrevista à Gazeta Esportiva.Net. Essa troca de clubes mexeu intimamente com Rivellino, algo cada vez mais difícil no ambiente de balcão de negócios em que se transformou o futebol atualmente. Outros jogadores também tiveram a audácia de defender seguidamente clubes arquirrivais.

Quem se lembra de Rivaldo no Corinthians?

Para citar apenas dois atletas que se engraçaram em um clube paulistano, mas acabaram morrendo de amores por outros: o goleiro Marcos e o meia Elias. O primeiro chegou a fazer testes no Corinthians antes de se transformar em um dos maiores ídolos da história do Palmeiras. O segundo, corintiano de nascença, jogou nas categorias de base do Verdão, mas acabou se destacando mundialmente no Parque São Jorge – antes, defendeu a Ponte Preta.

Inúmeros são os casos de atletas que “viraram casaca” sem um clube para intermediar as trocas. Rivaldo, por exemplo, saiu do Corinthians na década de 90 e foi direto para o Palmeiras, brilhar muito. José Ferreira Neto, atualmente comentarista da Band, deixou o Palestra Itália para atuar no Parque São Jorge, com sucesso incontestável. No sul, o caso é ainda mais sério: a rivalidade entre Grêmio e Inter, com mais de cem anos, só permitiu um jogador sair de um diretamente para outro em 1989, quando o meia Bonamigo foi do Olímpico para o Beira-Rio.

Todos esses casos desafiam – e, por que não?, aumentam – a rivalidade no esporte brasileiro. Mas futebol, sem dúvida, é paixão. E não há rivalidade que resista à paixão. O ex-palmeirense Rivellino se apaixonou pelo Corinthians. Gostaria de ter terminado a carreira no clube alvinegro, caso raro em tempos em que jogadores vem e vão – e até aceitam jogar em arquirrivais – sem o menor pudor. Logo ele, que tanto amor fez crescer no Timão, acabou se dando mal.

5 de janeiro de 1933 –  Começa a construção da Ponte Golden Gate

"Há esperança", diz a mensagem aos suicidas em potencial

77 anos após o início da construção da Ponte Golden Gate, ainda é difícil mensurar quão fúnebre a mesma se tornou. Talvez não suas toneladas de ferro e concreto, mas as águas que logo abaixo se encontram. É nelas que perdem a vida os centenas de suicidas que da estrutura se jogam. Ao longo da década, o ponto de ligação entre a cidade de São Francisco e sua região metropolitana se tornou um dos principais locais para perder a vida. Um dos mais charmosos, provavelmente. 

A distância do parapeito ao mar é de cerca de 227 metros. A queda é de aproximadamente 4 segundos, nos quais uma pessoa chega a atingir mais de 100 km/h, velocidade que torna o impacto na água fatal. Sem dor, sem sofrimento, morte tão rápida como um tiro na cabeça, mas com a adrenalina de alguns segundos de queda livre. E não são poucas as pessoas que resolvem terminar sua passagem pelo mundo desta maneira. 

De acordo com reportagem da revista New Yorker, pelo menos 1.200 pessoas foram vistas pulando da ponte ou foram encontradas nas águas da Baía de São Francisco desde que a ponte foi aberta, em 1937. Entre eles dois notáveis: Roy Raymond, fundador da grife Victória’s Secret, em 1993; e Duane Garret, arrecadador de fundos democrata e amigo pessoal do ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, em 1995. 

Suicida se agarra à estrutura da ponte

 Na média, uma pessoa pula da Golden Gate a cada duas semanas. Nos anos 80, trabalhadores de uma madeireira local chegaram a formar a ‘Associação dos Saltadores da Golden Gate’ – basicamente, eles apostavam dinheiro tentando adivinhar em qual dia da semana alguém se jogaria da estrutura. A polícia de São Francisco se mostra atenta com o alto índice de mortes naquela que é considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno – pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis. 

Somente em 2006, 70 pessoas foram detidas por suspeita de tentativa de suicídio. Normalmente, quem se mata no local costuma ir de carro até determinado ponto, abandonar o veículo e, então, se atirar. Isso costuma causar muitos problemas, desde engarrafamentos até a dificuldade de acesso para fazer o reboque do automóvel. Uma solução eficiente e barata seria aumentar o parapeito, impedindo sua ‘escalada’. Uma pesquisa feita no início do século, no entanto, mostrou que 54% das pessoas são contra a construção de uma barreira anti-suicídio. 

Aparentemente, se matar na Golden Gate Bridge continua sendo um direito muito requisitado nos Estados Unidos. Que aumentem a patrulha para coibir as tentativas, então. Ou que invistam em sistemas de busca para recuperar os cadáveres na Baía de São Francisco, em baixo do ponto fúnebre mais charmoso do mundo.

Joe Venuti: o 1° líder da Billboard

Joe Venuti: primeiro líder da Billboard

4 de janeiro – A revista Billboard lança pela primeira vez seu ranking de sucessos

4 de janeiro é uma data história para a indústria fonográfica norte-americana. Pela primeira vez, a revista Billboard publicou seu ranking de sucessos. Ao longo dos anos, a listagem feita pela publicação passou a servir de referência para analisar o sucesso comercial e a popularidade dos artistas. Bater o recorde de semanas na liderança ganhou grande relevância e virou motivo de orgulho. E o primeiro single a ter tal honra foi Stop! Look! Listen!, do violinista de jazz Joe Venuti.

Fundada em 1984, a revista Billboard inicialmente abordava diversos temas, que aos poucos foram deixados de lado em favor da música. A listagem dos sucessos acabou evoluindo para a criação do Hot 100 – referente aos singles mais vendidos – e ao Top 200 – referente aos álbuns mais vendidos. Foi com o sucesso de Michael Jackson que a revista se tornou conhecida no mundo todo – a versão brasileira é bem recente, foi lançada em outubro, com o cantor Roberto Carlos na capa.

Não há surpresas entre os que mais lideraram o ranking – os ‘campeões’ da Billboard reconhecidamente viveram extraordinários momentos na música mundial. O interessante é perceber que são artistas do rock ‘n roll e soul, basicamente. Atualmente, a lista é comandada por nomes como Beyoncé, Jay-Z e Taylor Swift. E quem começou tudo isso foi Joe Venuti, com seu violino fazendo jazz.

Os líderes são:

The Beatles – 20 singles, 59 semanas
Mariah Carey -18 singles, 79 semanas
Elvis Presley -17 singles, 79 semanas
Michael Jackson -13 singles, 37 semanas
Madonna -12 singles, 32 semanas
The Supremes – 12 singles, 22 semanas
Whtiney Houston – 11 singles, 31 semanas
Steve Wonder – 10 singles, 25 semanas
Janet Jackson – 10 singles, 33 semanas

3 de janeiro de 1959 – O Alasca torna-se o 49° estado norte-americano

Christopher Mccandless em frente ao ônibus mágico

Alasca. 49° estado norte-americano, incluído na União em 3 de janeiro de 1959, há exatos 51 anos. É o maior em extensão territorial, mas apenas o 48° mais populoso – tem 663.661 habitantes, com densidade demográfica de 0,42 habitantes por km². Sua vastidão foi o destino final da incrível jornada de Christopher Johnson McCandless, ou Alexander Supertramp, personagem principal do filme Into de the wild, dirigido por Sean Penn.

A história de Christopher McCandless é dividida em trajetória brilhante e trajetória errante. Filho de um importante empregado da Nasa que depois criou uma empresa de consultoria de sucesso com sua esposa, Chris cresceu em Los Angeles, na Califórnia, se destacando em esportes, o que lhe deu grande resistência. Se formou na Emory University em 1990, especializando-se em história e antropologia. Foi muito influcienciado por autores como Jack London, Leo Tolstoy e Henry David Thoreau.

O lar e leito de morte de Supertramp

Desta forma, Chris repentinamente abandonou sua trajetória brilhante para viver a vida verdadeiramente, de forma errante. Doou os US$ 24 mil de sua conta bancária a instituições e partiu rumo ao Oeste, sem destino. Avesso ao materialismo, abandonou seu carro apos ter problema próximo ao lago Meade, em Detrital Wash e, sem deixar vestígios, desapareceu. Seguiu em direção Alasca, pretentendo passar alguns meses isolado da civilização, em processo de autoconhecimento e espiritualização.

Adotou o nome de Alexander Supertramp e, assim, narrou seus dias de jornada na contracapa de vários livros, em 113 entradas. Ao estilo ‘mochilão’ chegou ao Alasca, onde se estabeleceu em um ônibus abandonado de número 142 do Fairbanks Transit System. Viveu cerca de quatro meses completamente sozinho. Tinha instrumentos inapropriados para a sobrevivência completa, mas conseguiu se virar com o conhecimento adquirdo durante a viagem – dicas de caça e livros sobre vegetação local.

Supertramp não resistiu. Seu corpo foi encontrado por caçadores, em decomposição em agosto de 1992, embrulhado em um saco de dormir que utilizava dentro do ônibus. Na porta do veículo estava a mensagem: “S.O.S. Preciso de ajuda. Estou aleijado, quase morto e fraco demais para sair daqui. Estou totalmente só, não estou brincando. Pelo amor de Deus, por favor, tentem me salvar. Estou lá fora apanhando frutas nas proximidades e devo voltar esta noite. Obrigado, Chris McCandless”.

Emile Hirsch interpretou Chris nos cinemas

As causas de sua morte ainda não são certas. Amostras das sementes encontradas em seu acampamento não indicaram toxinas. O jornalista Jon Krakauer, que investigou a fundo a história de Chris para escrever um artigo para a revista Outsite e acabou fazendo o livro Into the Wild – O Lado Selvagem, acredita que sementes de batata selvagem com mofo causaram intoxicação no jovem aventureiro. Supertramp virou herói e o ônibus que o abrigou hoje é ponto turístico no Alasca.

Apesar de tudo, deixou claro, através de mensagens, que morreu satisfeito. “Tive uma vida feliz, e agradeço ao Senhor. Adeus e que Deus vos abençoe a todos”.

2 de janeiro de 1788 – A Georgia se torna um estado norte-americano

De acordo com a última contagem feita na Georgia, cerca de 28% da população do estado  é composta por negros – a maioria, 62%, é de brancos. Há 222 anos, quando passou a fazer parte da união, se tornando o quarto estado norte-americano, a proporção era bem diferente. Na época, sua área era bem maior, contendo terras que hoje formam Mississipi e Alabama. A principal atividade econômica era o cultivo de algodão, o que motivou a chegada de escravos – e do racismo.

A Georgia estava entre os 11 estados agrários e sulistas que, em 1861, fundaram a Confederação, unidade política de oposição ao governo abolicionista de Abraham Lincoln e que mais tarde seria derrotada na Guerra Civil Americana. O sistema escravocrata cairia, mas não o racismo, muito embora boa parte dos negros tenha migrado para trabalhar nas indústrias do norte após o fim do conflito, enquanto brancos se mudavam de bairro nas cidades da Georgia (especialmente Atlanta), isolando o restante dos negros.

Foi nesse panorama, pobre e segregacionista, que cresceu Ray Charles, em Albany. As coisas não haviam mudado muito em 1961, quando ele criou polêmica ao se recusar a se apresentar para um público segregado. A cena é retratada no filme Ray, de 2004, com Jamie Foxx – usando de uma ‘licença dramática’, o episódio é supervalorizado. Ray Charles foi proibido de se apresentar no estado. A história – e o governo estadual – trataram de compensar o ocorrido.

Georgia on my mind teve sua melodia composta por Hoagy Carmichael e a letra por Stuart Gorrell, mas foi a versão de Ray Charles que ficou mundialmente famosa. Em 1979, 21 anos depois de ter sido ‘banido’ de seu estado natal, ele apresentou a canção na Assembleia Geral estadual. Meses mais tarde, a própria Assembleia fez de Georgia On My Mind o hino estadual. Ray Charles, um negro que um dia se levantou contra o racismo, ficou eternizado em sua terra natal. E com uma velha e doce canção.

Segue abaixo uma das versões da canção.

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